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09/01/2015 - Alta do dólar pode corroer até 60% do lucro das empresas, diz consultoria
Cálculo da Economática mostra que despesa financeira aumentou R$ 12 bilhões com variação cambial

SÃO PAULO - Se a alta do dólar deve dar algum impulso às exportações em 2015, a variação cambial também vai corroer uma fatia importante das receitas das companhias com dívidas em moeda americana quando os balanços do quarto trimestre começarem a ser divulgados. Cálculo feito, a pedido do GLOBO, pela consultoria Economática mostrou que a dívida em moeda estrangeira de 109 empresas de capital aberto somava R$ 144 bilhões, no fim do terceiro trimestre de 2014, e saltou para R$ 156 bilhões no fim do ano, com a alta de 8,3% do dólar registrada nos últimos três meses de 2014. Com isso, a despesa financeira dessas companhias aumentou em R$ 12 bilhões no período, mostrou a Economática.

- Na simulação, consideramos que as empresas não fizeram nenhum tipo de proteção contra a desvalorização (o chamado hedge), não tomaram novas dívidas em dólar e nem realizaram pagamentos. É apenas um exercício para medir o impacto cambial no caixa dessas companhias, considerando que o estoque de dívida em dólar foi mantido - diz Einar Rivero, gerente de relacionamento institucional da Economática.

Segundo ele, esse aumento das despesas financeiras com a dívida poderá destruir até 60% do chamado lucro Ebit (resultado de natureza operacional, que não inclui ganho financeiro, dividendos ou juros sobre o capital próprio) dessas companhias no quarto trimestre. Segundo a Economática, o lucro Ebit total do terceiro trimestre das 109 empresas foi de R$ 19,8 bilhões.

- Se esse lucro se repetir nos últimos três meses do ano, 60% dele estará corroído, já que as despesas financeiras com a alta do dólar aumentaram em R$ 12 bilhões - diz Rivero.

Um levantamento feito pelo "Wall Street Journal" diz que a alta do dólar está pressionando a dívida de empresas do Brasil à Tailândia. Apenas em 2014, foram emitidos US$ 276 bilhões de títulos na moeda americana pelas empresas dessas nações, segundo o jornal. O Wall Street lembra que as empresas se aproveitaram dos juros baixíssimos fixados pelo Federal Reserve, após a crise de 2008, para levantar capital no exterior.

- Há empresas que possuem um hedge natural, já que são exportadoras e têm receita em dólar. Mas muitas empresas brasileiras que não exportam também se endividaram em dólar, apostando que o Banco Central evitaria uma apreciação mais forte da moeda americana com seu programa de swaps. Mas o dólar ganhou força no mundo com a recuperação da economia americana - diz Claudio Frischtak, da consultoria internacional de negócios Inter.B.

BC NÃO VÊ RISCO SISTÊMICO

Ele prevê que a moeda americana chegue ao fim de 2015 cotada a R$ 2,90. Analistas não preevem, entretanto, uma crise generalizada. As agências de classificação de risco consideram que 65% dos títulos emitidos por empresas em países emergentes sejam de alta qualidade, com baixo risco de inadimplência. Relatório recente do Banco Central brasileiro também não vê risco sistêmico de uma crise cambial nas companhias privadas.

- O impacto negativo deve acontecer nos ganhos do último trimestre de 2014, mas em geral as empresas com dívida em dólar têm receita em moeda estrangeira com exportações, que acabam conpensando a perda durante o ano. Não vejo a possibilidade de mudança de rating apenas por conta dessa situação - diz a analista principal da agência de classificação de risco Standard & Poor's em São Paulo, Flávia Bedran.

Claudio Frischtak, da consultoria internacional de negócios Inter.B., lembra que não apenas as companhias com ações negociadas em Bolsa foram buscar financiamento no exterior, mas também empresas de capital fechado. Para algumas delas, a variação do dólar pesou. No fim do ano passado, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou o rating da produtora de álcool e açúcar Virgolino de Oliveira, com usinas no interior de São Paulo.

O setor de açúcar e álcool enfrenta dificuldades, com quebra de safra e preços baixos, o que provocou o fechamento de muitas usinas. De acordo com a agência, a Virgolino de Oliveira não obteve progresso em renegociar dívidas que vencem no início deste ano. Pelos cálculos da Fitch, a empresa terá de pagar juros de US$ 40 milhões este mês e no próximo de uma dívida de US$ 735 milhões. Procurada, a empresa não deu informações.

Na Eletrobras, considerando apenas a alta do dólar no último trimestre de 2014, viu sua dívida em moeda estrangeira saltar de R$ 11,2 bilhões para R$ 12,2 bilhões no período. A empresa tem parte de sua receita em dólar, já que é sócia de 50% da Usina de Itaipu.

Mesmo assim, a Eletrobras informou que só vai saber o impacto total da variação cambial em seus números quando fechar as demonstrações financeiras de 2014. A empresa informou que não fez hedge dos débitos em moeda estrangeira, e que não tomou novos empréstimos em dólar depois que a divisa começou sua escalada.

A companhia Suzano de papel e celulose informou que o impacto da depreciação do real na sua dívida em moeda estrangeira é contábil e não caixa, uma vez que não há parcela com vencimento no curto prazo. A dívida bruta, em setembro do ano passado, era de R$ 13,1 bilhões, sendo 53% em moeda estrangeira e 47% em moeda nacional. Esta dívida era composta por 89,2% de vencimentos no longo prazo e 10,8% no curto prazo.

A Suzano, informou a companhia, contrata dívida em moeda estrangeira como hedge natural, uma vez que parte significativa da receita é proveniente de exportações. De janeiro a setembro de 2014, 57% da receita da Suzano foram provenientes de exportação. Mas desde que o dólar engatou uma trajetória de alta a empresa não tomou novos empréstimos em moeda americana. O foco é a desalavancagem, informou a empresa, para redução do custo e alongamento do prazo da dívida.
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