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15/01/2015 - Inflação em 2014 teve alta na maioria das regiões metropolitanas do País
Com maior variação, o Rio de Janeiro fechou o ano com alta de 7,60%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA); aumento na energia vai pressionar custo de vida em 2015

São Paulo - Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a maioria das regiões metropolitanas do Brasil registrou aumento de preços ao longo de 2014.

O Rio de Janeiro foi a cidade que teve a maior alta medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com variação de 7,60% em 2014, ante 6,16% em 2013. A região foi pressionada, principalmente, pela elevação dos serviços de empregado doméstico, em 13,78%, pela refeição fora do domicílio, em 11,61%, e pelo aluguel residencial, em 11,07%.

No Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação das famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, o Rio também liderou a alta de preços. O índice fechou o ano de 2014 em 7,62%, contra 5,60% em 2013, também puxado pela refeição fora de casa (11,61%), aluguel residencial (11,07%) , além da alta nas tarifas cobradas de ônibus urbano (9,09%).

Goiânia foi a segunda cidade com maior elevação de preços, finalizando o ano de 2014 com variação de 7,20% no IPCA, ante 5,62% em 2013. No INPC, alta de preços na região variou 7,47% em 2014, contra 4,93% no ano anterior. Porto Alegre também tem registrado alta na inflação oficial. O IPCA da região foi de 6,77% em 2014, ante alta de 5,79% em 2013.

Recife e Fortaleza foram as únicas cidades brasileiras em que houve retração de preços. Na primeira, o IPCA passou de 6,86% em 2013, para 6,32%, no ano passado. Já em Fortaleza, o índice reduziu de 6,38% para 6,03%, no mesmo período.

São Paulo é a única região metropolitana que demonstrou estabilidade de um ano para o outro. A inflação oficial da cidade ficou em 6,09% em 2013 e em 6,10%, em 2014.

No INPC, essa proporção foi de 5,43% em 2013 e de 5,48%, em 2014. A região também registrou a menor inflação medida pelo índice da baixa renda. Segundo o IBGE, isso foi decorrente da queda de 27,84% nas tarifas de água e esgoto.

Belo Horizonte e Salvador, por sua vez, registraram os menores índices de inflação no IPCA de 2014. Em BH a alta no IPCA foi de 5,83%, contra 5,75% em 2013. Já em Salvador, a elevação foi de 5,76% no ano passado e de 5,03%, em 2013.

Diferenças

O professor de economia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Orlando Assunção Fernandes, explica que as variações de inflação entre as regiões são decorrentes dos diferentes hábitos de consumo e da composição dos produtos e serviços nos gastos da população.

"Em 2014, a alimentação fora do domicílio teve alta de 9,79% [IPCA]. E faz parte dos hábitos de consumo do carioca, por exemplo, se alimentar fora de casa. Esse item consome cerca de 9,1% da renda dos moradores do Rio de Janeiro. Já em Belo Horizonte, a alimentação fora de casa representa cerca de 6,5% dos gastos da população", diz Fernandes.

O professor da ESPM dá um exemplo inverso: "As tarifas de transporte público subiram menos em 2014 e tiveram variação de 3,75%. Esse item é mais consumido pelos mineiros e compõe 20,6% do consumo da renda dessa população. Já no Rio de Janeiro, essa participação é de 18,7%", afirma o especialista.

"Essas diferenças de consumo entre as regiões, portanto, nos permite explicar o porquê que Belo Horizonte veio com um IPCA mais baixo e o Rio com um índice mais pressionado", finaliza.

O professor do Instituto Inper, Otto Nogami, também concorda que as variações de preços entre as cidades dependem da estrutura de consumo das famílias. Além disso, acrescenta que as regiões com maior alta de preços são, geralmente, aquelas que costumam receber mais turistas.

"Em épocas com maior visita, a demanda cresce nessas regiões e os preços, naturalmente, se elevam", afirma Nogami. "Para evitar a alta de preços nesses períodos, os comerciantes, por exemplo, poderiam criar estoques elevados de produtos. No entanto, mesmo que isso ocorra, em época de férias, os comerciantes têm uma perspectiva de ganho adicional e isso faz com que eles elevem seus preços", completa o professor.

Tanto para Nogami como para Fernandes, a tendência para esse ano é de uma inflação bem pressionada, em todas as regiões, em decorrência da alta nas tarifas de energia elétrica. "Com a expectativa de aumento em até 40% na energia, a tendência é de um impacto na cadeia produtiva que será repassado aos consumidores finais. Isso deve reduzir o orçamento das famílias."
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